Sucesso escolar

À escola está destinado um papel relevante na tomada de consciência da dignidade da pessoa. Nela se devem despertar e desenvolver as capacidades dos alunos de modo que cada um deles possa sentir que algo lhe compete fazer para o progresso da comunidade; nela deverá ter espaço o diálogo, o respeito mútuo para que o aluno possa interiorizar essas atitudes e, assim, poder extrapolá-las para a sociedade em que, em breve, irá inserir-se duma maneira produtiva; nela deverá ter lugar a liberdade, fomentadora da participação, do empenhamento, da iniciativa, referências que servirão para a distinguir da libertinagem e da anarquia.

Finalmente, a escola deve constituir-se como órgão social não desligado do mundo que a envolve; as suas propostas não serão válidas se, perante elas, o aluno não encontrar respostas perante as interrogações sobre o seu significado; os seus saberes não poderão provocar modificações desejáveis se a experiência do aluno não for neles projectada.

O insucesso escolar poderia ser significativamente reduzido se os professores utilizassem outros métodos e, acima de tudo, uma nova atitude. Sem pôr em questão o contributo que os meios socioeconómicos mais débeis dão para a elevada taxa de insucesso escolar, não pode deixar, no entanto, de ser referido o papel de natureza compensatória que a escola poderia exercer na estimulação cognitiva e afectiva dos alunos e, assim, ela própria constituir-se, a par da acção concomitante a levar a cabo nos outros sectores em que o problema tem implicação, como factor relevante do êxito escolar e, como tal, do progresso social.

A falta de sucesso escolar do aluno aponta para causas que devem centrar-se quer no seu modo de vida e meio familiar, quer no tipo de propostas de aprendizagem que a escola lhe oferece, quase totalmente desligadas da experiência quotidiana do aluno, inibindo assim a génese de uma motivação para o saber, para a construção desse mesmo saber.

A modificação de comportamentos na esfera familiar e no dia-a-dia do aluno são factores que foram identificados como relevantes com vista à aquisição de uma nova atitude frente à escola e aos saberes por ela propostos. É evidente que um professor não é um assistente social, que é detentor das técnicas de inquérito e de intervenção social na comunidade, no entanto ele é um elemento privilegiado para ouvir os pais acerca dos filhos e o conhecimento da vida dos alunos fora da escola pode ajudar a compreender muitos dos seus comportamentos na sala de aula, alguns dos quais, saindo dos padrões tidos como ajustados.

Ora, conhecer as causas desses comportamentos pode constituir um desafio para o professor, para mudar alguma coisa ao seu alcance, quer em relação ao aluno, quer em relação aos métodos que utiliza. Por outro lado, ouvir os pais é, também, dialogar com eles, é implicá-los nos objectivos educacionais que a escola persegue, os quais sem a participação e ajuda activas da família, poderão ser alcançados.

Podemos avaliar a promoção do sucesso escolar através dos seguintes tópicos:

  1. Medidas políticas e administrativas
  2. Papel da escola
  3. Papel da família
  4. Em relação ao aluno
Publicado por: André Parreira